BA 163 | Nesse momento, a comunicação transparente é fundamental

Por Karin Fuchs
29/07/2020 16:20:30
 
Uma das principais ferramentas para manter a equipe motivada, internamente ou a distância
 
O mundo está vivendo um momento sem precedentes e cada vez mais é fundamental o papel dos líderes em manter as suas equipes motivadas e mais seguras, como os gerentes de vendas. Para isso, o primeiro passo é uma comunicação eficiente e transparente, se colocando também no lugar deles.
 
A primeira dica de Milton Camargo, sócio do Grupo Empreenda, é estar perto dos seus liderados, presente no dia a dia, mesmo com a distância física. “O líder precisa se colocar à disposição, dar o apoio e o suporte necessários. Tem pessoas que estão muito impactadas, têm familiares que perderam a renda ou alguma pessoa querida. Estamos em um momento bastante crítico. O líder precisa mostrar o real interesse no contexto em que os colaboradores estão vivendo”.
 
Até porque ele é um espelho. “O poder do exemplo do líder é muito forte para manter a sua equipe motivada. A questão do propósito entrou muito na moda, mas eu sempre acreditei muito em trazer as pessoas para um objetivo em comum, nem que seja momentâneo para daqui dois ou três meses. Ter clareza no que se espera das pessoas é muito importante, bem como o alinhamento das expectativas. Estar próximo, olho no olho, mesmo que seja virtualmente, é a forma que temos para manter a equipe motivada e saber como as pessoas estão vivendo esses dias”, afirma Camargo.
 
Do outro lado, ele lembra que os próprios líderes estão enfrentando esse momento difícil e que precisam de apoio. “É importante também eles compartilharem os seus anseios, as pessoas se identificam com seus líderes. No fundo estamos tratando com os sentimentos das pessoas. É se expor de forma positiva para que as pessoas baixem também um pouco a guarda”.
 
Milton Camargo, sócio do Grupo Empreenda – Foto: Divulgação
 
Outra dica de Camargo é compartilhar informações. “O líder tem que ter transparência, aliás, nesse momento a transparência é fundamental em todas as relações. Há os que não conhecem a realidade da empresa, os números e o que está acontecendo. Ele tem que se apropriar dessas informações para compartilhar com os seus colaboradores. Dessa forma, ele consegue mostrar também para as pessoas que estão com dúvidas, medos e receios, o que é natural, que existem oportunidades”.
 
Sócio-diretor do Grupo Bridge, Celso Bridge Teixeira Braga compartilha da mesma visão de Camargo. “Para liderar equipes em tempos de pandemia é preciso estar próximo com uma rotina de comunicação, como, por exemplo, ligar para dois ou três colaboradores, fazer reuniões de grupos ou conversar individualmente. Na primeira parte da conversa, saber como estão a pessoa, a sua família e o seu entorno. Um “truque” para ter essa abertura é o líder falar de si mesmo e compartilhar o que está sentindo”.
 
Na segunda parte da conversa, o foco é o profissional. “Questione o colaborador o que pode ser feito para manter o negócio, aumentar as vendas e como se preparar para o pós-pandemia. Claro que se ele tiver uma visão distorcida da realidade, algo que não faça sentido, diga que pensará sobre ela, mas que você pensa diferente e no que ele deve focar nesse momento”. O papel do líder é dar as diretrizes do que há para ser feito.
 
“O que ele espera do liderado, escutando as suas ideias e dizendo que irá aproveitá-las em um momento oportuno. Isso dá uma tranquilidade para a pessoa, pois ela não tem que ficar pensando em como lidar com a situação. Isso pode ser feito tanto com o colaborador que está na empresa como também com os que estão remotamente. Sempre apoie os seus colaboradores e divida as diretrizes nesse momento”, acrescenta.
 
Camargo alerta sobre alguns erros que o líder não pode cometer. “A primeira coisa é se esconder, o momento não permite que você faça isso, que fique em cima do muro ou que não seja transparente, como também não permite que você faça uma coisa e aja de outra forma. Se fizer isso, você perde a sua relevância como líder. É o momento de praticarmos muito a empatia, ser solidário, mas não complacente. O líder tem que ter bom senso na forma de cobrar a equipe, de definir produtividade e resultados, compatíveis com a realidade que estamos vivendo”.
 
Celso Bridge Teixeira Braga, sócio-diretor do Grupo Bridge – Foto: Divulgação
 
Ainda de acordo com ele, perceba a essência dos colaboradores. “É um momento em que muitos talentos que estavam desapercebidos florescem e aqueles que talvez você apostasse não estão despontando tanto assim. O importante também é enxergar o grau de estresse que cada uma das pessoas está vivendo, para poder ajudá-las. E desapegar, pois o mais importante enquanto líder é você desenvolver pessoas melhores do que você”.
 
Braga sugere também que sejam criados grupos de ideias. “Deixe os colaboradores sugerirem ideias, elas podem ser filtradas e traduzidas em pequenas alterações e alternativas no cotidiano da empresa”. E que o próprio líder cuide de si mesmo e não apenas da sua equipe. “Procure alguém com quem você possa compartilhar o que está sentindo, isso tranquiliza, pois mostra que as pessoas estão vivendo coisas muito parecidas”.
 
Apoio total
 
André Franco, CEO do Dialog, ferramenta online que funciona como um canal de comunicação interna para as empresas, como se fosse uma rede social para gerar maior engajamento e facilitar a comunicação interna com os colaboradores, dá várias sugestões para os líderes se aproximarem dos colaboradores, a partir da ferramenta que é utilizada em grandes varejistas.
 
“O que tem feito sentido para eles é uma comunicação maior e mais constante com os seus colaboradores, para eles saberem o que a empresa está fazendo e planejando em relação a essa nova realidade, em que os colaboradores estão inseguros, não sabem se serão demitidos, se continuarão com a empresa e o que farão agora como daqui em diante, sabendo que a vida não será mais a mesma”.
 
O propósito é a aproximação. “Nós estamos percebendo que essa comunicação direta, que até então não existia, está fazendo a diferença. Normalmente, os varejistas faziam uma comunicação para o gestor da loja que replicava as informações. Agora com as pessoas em casa e a perda do contato físico, tem que ter uma ter transparência e uma proximidade maior”.
 
André Franco, CEO do Dialog – Foto: Divulgação
 
Por outro lado, há uma preocupação das empresas se a comunicação está fluindo diretamente, se o colaborador está recebendo-a e se ele está entendendo a mensagem. “Nós ajudamos as empresas a garantir a eficiência dessa comunicação e medir se ela funciona bem. Como o Dialog é um canal direto delas com os colaboradores (via aplicativo), a empresa dispara alertas, ela sabe quem viu e quem abriu, e assim conseguimos medir”.
 
De maneira geral, Franco sugere que a comunicação com os colaboradores seja feita diariamente, no início do dia. E também nesse momento de pandemia suas ações podem ajudá-los. Uma delas é o que ela chama de pílulas de informações para trabalharem a saúde mental. “Não apenas informações frias do que está acontecendo, mas também, pequenos vídeos motivacionais”.
 
A segunda é a questão financeira. “Há muitas pessoas que não estão perdendo o emprego, mas alguém da sua família certamente está e isso abala a saúde mental da pessoa. O que temos feito é levar serviços financeiros para a contratação de crédito com juros mais baixos do que os praticados pelo mercado, através de parcerias com empresas de crédito para contratação 100% online”. 
 
Ele lembra que muitas empresas têm um acordo de crédito consignado com os bancos em que elas trabalham, mas nem sempre o colaborador sabe disso ou é tanta burocracia para consegui-lo que nesse momento fica inviável. O que é uma alternativa com a contratação 100% digital.
 
A voz do gestor
 
Sócio-diretor da rede de franquias Orthodontic, Fernando Massi comenta que em momentos de crise a responsabilidade pesa duas vezes mais do que em tempos normais, e aproveita para compartilhar alguns de seus aprendizados como líder empresarial. “A primeira dica é ser transparente. As pessoas já sabem que a situação não está favorável e quando não há clareza sobre a situação abre-se margem para que a equipe passe a pensar que o pior pode estar acontecendo nos bastidores”.
 
Fernando Massi, sócio-diretor da rede de franquias Orthodontic – Foto: Divulgação
 
O primeiro passo é explicar para onde a empresa está caminhando e quais medidas vêm tomando para vencer a crise. “A confiança entre gestores e time é a base para o desenvolvimento de uma consciência coletiva determinada a buscar novas soluções para o negócio. Na mesma linha de raciocínio, é fundamental ser coerente em relação às palavras e aos atos”.
 
Ele destaca que a famosa frase: “faça o que digo, mas não faça o que eu faço” jamais se aplicará em um ambiente profissional saudável. “Um discurso bem alinhado entre líder e equipe é poderoso e pode ir além do escritório, afetando ou não a imagem institucional e a visão do público externo sobre a empresa.
 
Quando a organização mantém os seus compromissos, adotando uma comunicação transparente com seu público interno, a relação com os clientes também será influenciada positivamente. O resultado será a sua fidelidade, essencial para uma retomada pós-recessão”.
 
Em um momento como este, Massi ressalta que o gestor também precisa ser protagonista. “Você já deve ter escutado que uma equipe é o reflexo do seu líder. Assim, quando o gestor tem atitudes proativas, executa tarefas que poderiam ser feitas por subordinados e mantém uma perspectiva otimista, com certeza será uma inspiração para os colaboradores”.
 
De acordo com ele, o líder deve estar preparado para o agora, com um planejamento de gestão considerando medidas emergenciais (curto prazo), mas sem esquecer da visão macro. “Nesta ótica, elabore uma estratégia de recuperação, com ações em médio e longo prazos, isso será o diferencial quando a empresa se reerguer”.
 
Ariane Marta, da Brascont Contabilidade – Foto: Divulgação
 
Nesse momento que estamos vivendo, ele diz não é fácil o líder manter o equilíbrio emocional, por isso, a dica que ele dá é investir algumas horas na busca de autoconhecimento. “Será esta capacidade que possibilitará ao líder manter a serenidade, controlar a ansiedade e não transmiti-la à equipe, proporcionando um clima tranquilo, ainda que cheio de dúvidas sobre o futuro, e potencializando a tomada de decisões assertivas em todos os níveis”.
 
Exemplos de ações
 
Na empresa liderada por Ariane Marta, a Brascont Contabilidade, ela cita algumas ações que fizeram junto aos colaboradores para minimizar esse período de pandemia. A começar pelo envolvimento dos colaboradores. “Para quem está suspenso, nós estamos fazendo reuniões virtuais para eles saberem o que está acontecendo, ficarem mais seguros e não se sentirem excluídos. É importante para quem está em casa participar de algum encontro”.
 
Para os colaboradores ativos, encontros gerais e de setores são realizados, e também foi feita uma pesquisa para analisar como os colaboradores estão em casa, se o ambiente lhes permite trabalhar e se eles têm equipamentos para isso. “Isso foi muito importante, pois tinham coisas que nem imaginávamos. Como um colaborador nosso que estava trabalhando em um banquinho de plástico, sem condições”.
 
Também os colaboradores recebem boletins periódicos com informações sobre o mercado, os clientes e o que a empresa tem feito em termos de planejamento para os próximos meses para eles se sentirem mais seguros.
 
Internamente, foi preciso adaptar a tecnologia. “Mudamos o sistema de telefonia e o sistema de reunião para ficarmos online”.
 
Para os que têm filhos, Ariane Marta conta que foi feita uma parceria com um dos seus clientes que tem uma empresa de brinquedos. “Nós conseguimos um cupom de desconto e esse cliente também tem uma plataforma que ajuda os filhos dos colaboradores a ficarem mais entretidos e deixarem os pais trabalhar”.
 
Renato Akio Yonekura, da Koga Koga, de São Paulo (SP) – Foto: Divulgação
 
Na parte de saúde e do emocional, ela buscou informações do convênio de saúde para saber quais são os protocolos, os procedimentos, se ele tem telemedicina, por exemplo, para passar as informações aos colaboradores. E por uma parceria com uma coach psicóloga, grupos de 4 ou 5 colaboradores são atendidos semanalmente. “Eu não participo dessas reuniões, mas temos funcionários que moram sozinhos e não é fácil ficar 100% isolado, isso também é uma preocupação. Agora, estou buscando hobbies em comum entre eles para promover interações de forma online, que não sejam associadas ao trabalho”, conclui.
 
Na linha de frente com os colaboradores
 
Desde julho de 2008, Renato Akio Yonekura é o gerente da unidade do Koga Koga Auto Peças, da Avenida do Oratório, em São Paulo (SP). Com uma equipe de 26 colaboradores diretos, sendo que a equipe voltada para vendas é composta por 9 colaboradores, ele conta que a sua equipe sempre foi muito unida e motivada. “Agora, com a pandemia, todos estão cuidando uns dos outros com mais apreço e responsabilidade, respeitando o distanciamento e todas as recomendações de higiene pessoal e coletiva”. 
 
A empresa fornece todos os equipamentos de segurança, como os EPIs e instalação de proteção acrílica nos pontos de venda e no balcão de garantia. “E conscientizando a todos de que estamos passando por uma fase crítica, mas que unidos conseguiremos atravessar a tempestade com muita tranquilidade”.
 
Do lado emocional, ele diz que todos estão muito inseguros, pois a cada dia aumentam as notícias negativas em relação à covid-19. “Em primeiro lugar, afastamos todos os colaboradores com perfis de risco maior, seja abatendo o banco de horas, antecipando férias e, em último caso, fazendo a interrupção temporária de contrato de trabalho. O Koga Koga persegue sempre o lema “qualidade e preços baixos “, mas um dos pilares é sempre o cuidado e a valorização de todos os colaboradores da empresa, desde a base até o topo”.
 
Ele informa que é essa a conscientização que estão tentando passar para todos os colaboradores para que possam estar emocionalmente equilibrados e seguros num momento muito turbulento nas nossas vidas. “Todos eles sabem que têm a retaguarda necessária da empresa. Cada um tem um problema, uma necessidade, mas dentro do possível vamos nos ajudando e resolvendo as devidas necessidades individuais e coletivas”.
 
Alexandrino Alves da Silva, da Jocar, de São Paulo (SP) – Foto: Divulgação
 
Para finalizar, ele deixa uma mensagem: “Tudo vai passar e sairemos mais fortes deste episódio. O mais importante é sabermos nos adaptar para o nosso “novo normal”, nos reinventando, achando soluções em equipe, atendendo os nossos clientes com mais qualidade e dedicação, criando novos canais de vendas/distribuição e interação com os clientes. Bem como administrar bem o fluxo de caixa, o controle de estoques para nossa nova realidade e dar bastante importância para o feedback dos nossos clientes internos e externos, sempre tendo em vista preservar a segurança de todos clientes e colaboradores”.
 
Alexandrino Alves da Silva Junior trabalha na Jocar, em São Paulo (SP), há um bom tempo. Ele foi coordenador da loja da Lapa e, desde março deste ano, lidera uma equipe de balcão com seis vendedores na unidade de Pirituba. Nesse momento de pandemia, ele diz que o importante é o controle geral para manter a qualidade do atendimento e colocando os cuidados pessoais de higienização adequados com as recomendações da Secretaria da Saúde.
 
“Somos seres humanos que tememos as consequências da contaminação, tomamos todos os cuidados como o uso de máscaras, mantendo o distanciamento dos clientes e orientando-os sobre o uso das máscaras e do álcool em gel”. E como um líder de equipe, ele diz que isso irá passar.
 
“Deus é fiel, tudo passa, e como no início do mundo o dia vai chegar ao fim. Mas esse não é o momento de desespero e sim de unimos para nos manter saudáveis e com empregos. A medicina está muito avançada, devemos fazer a nossa parte nos protegendo e tendo fé em Deus”, conclui. 
 
Leia a edição em: https://issuu.com/jornalbalcaoautomotivo/docs/balcao_ed163-web
 

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