BA 166 | O bonde está passando com destino para o e-commerce

Por Fauzi Timaco Jorge
31/08/2020 17:51:00

 
Os dados são da 41ª. edição do estudo realizado pela Ebit | Nielsen desde 2001, denominado Webshoppers, que possui alta credibilidade sobre o comércio eletrônico brasileiro e constitui principal referência para os profissionais do segmento: em 2019, o e-commerce cresceu 16%, com vendas acima de R$60 bilhões. No período que vai de 2010 a 2019, o Compound Annual Growth Rate (CAGR), ou seja, a taxa de crescimento anual composta, é de incríveis 18%! Difícil imaginar que, no ano da pandemia que nos impele ao recolhimento social e que já vem demonstrando crescimento exponencial desta modalidade de comércio, este número não salte para além dos 30% de aumento nas vendas assim realizadas.
 
O estudo revela que o aumento da quantidade de pedidos é o principal motivador desse crescimento ao longo dos anos. Para um crescimento de 13% no ticket médio – o valor médio de cada pedido – o índice de quantidade de pedidos sai de 100 em 2010 para 447 em 2019. Uma elevação, portanto, de 347% no período! Outro dado significativo diz respeito à quantidade de novos consumidores, algo em torno de 10,7 milhões em 2019, denotando um crescimento em torno de 9% em relação ao ano anterior.
 
Como o nome do estudo – Webshoppers [lojistas da internet] – indica, trata-se de uma análise de compras online em lojas, baseada no cadastro da empresa (CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas), reunindo 12 segmentos de lojas: 1) Alimentos; 2) Automotivo; 3) Autosserviço; 4) Bebidas; 5) Casa e Decoração; 6) Departamento; 7) Esportivo; 8) Farma; 9) Informática; 10) Perfumaria; 11) Petshop e 12) Roupas e Calçados. No caso específico do segmento automotivo, que nos interessa mais diretamente, são analisadas as compras em “lojas online com predominância na venda de acessórios automotivos, como rodas, pneus, faróis, alarmes de segurança, etc”. Neste segmento, o faturamento cresceu 8% em 2019.
 
Outro dado relevante no caso do e-commerce do segmento automotivo assim especificado diz respeito aos caminhos utilizados pelos consumidores para acesso às lojas. Prevalecem os sites de busca e redes sociais, além de recomendação e site de comparação de preços, seguidos de digitação do nome da loja, promoção via e-mail e site do fabricante.
 
No conjunto de todos os segmentos, a “Black Friday dispara ante o Natal e se consolida como data mais importante do e-commerce”. O estudo aponta, ainda, que as vendas via mobile, identificadas como M-Commerce, ultrapassam as vendas via desktop a partir de novembro de 2019. Outro dado geral relevante indica que as compras de brasileiros em sites internacionais seguem em crescimento, impulsionadas pelo aumento dos pedidos.
 
Em suas “Considerações Finais”, o estudo destaca e recomenda:
 
• a importância de investimento em logística, descentralizando centros de distribuição visando rapidez e agilidade e, sempre que possível, utilizar lojas físicas para atender o e-commerce (store pick up);
 
• prepare-se para um novo cenário competitivo, porque lojas offline têm se tornado online, aplicativos de entrega ganhando força e capilaridade, investimento em sites/plataformas para gerar uma melhor experiência de compra online;
 
• reforçar benefícios e vantagens através das redes sociais, porque o consumidor já conta com mais experiência online. Eles aprenderam com a quarentena, que transformou o distanciamento digital em aproximação digital.
 
Marketplace
 
Que tal usufruir de um sistema de e-commerce colaborativo, enquanto não agiliza sua própria loja virtual para uma prática direta de e-commerce? Ou até mesmo para turbinar suas vendas nesta modalidade? Existem vários tipos de filtros nesta espécie de shopping center virtual, por ser um ambiente que dispõe dos mais diversos tipos de produtos ali inseridos. Assim, tipo de produto, preço, prazo de entrega, frete e outros atributos podem ser facilmente identificados. Num primeiro momento, não hesite em colocar seus produtos nos vários sites existentes. Depois, veja em qual deles os seus produtos foram melhor pesquisados e quais os que resultaram mais efetivos, proporcionando pedidos e cumprindo à risca as condições contratuais estabelecidas.
 
Como toda e qualquer forma de comercialização e distribuição de seus produtos, um marketplace reúne vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, proporciona menores custos, maior visibilidade e maior volume de vendas. No entanto, uma vez ali, a decisão sobre os approaches [apelos] comerciais, exposição da marca e outros fatores que impulsionam os negócios ficam totalmente por conta do marketplace. Mercado Livre, Magalu, Americanas, Via Varejo, Shoptime, Walmart, OLX, Bom Negócio, Seu Zé e outras empresas fazem parte deste mundo especial dos marketplace.
 
Como nos lembra Brian Halligan, um dos pais do Inbound Marketing, cofundador e CEO da HubSpot, uma das principais empresas de marketing digital do mundo:
 
HÁ 10 ANOS A EFETIVIDADE DO MARKETING ERA DEPENDENTE DO PESO DA SUA CARTEIRA. HOJE, A EFETIVIDADE DO MARKETING É DEPENDENTE DO TAMANHO DO SEU CÉREBRO.
 
* Fauzi Timaco Jorge é mestre em Economia pela PUC/SP. Exerceu função executiva em empresas nacionais e estrangeiras nas áreas de vendas, exportação e planejamento. É sócio-gerente da Timaco Planejamento Empresarial desde 1994, uma consultoria na área de planejamento empresarial. Atua como Professor-Tutor no Pós-Graduação Online em Gestão Financeira do sistema FGV Online, desde 2010. Em suas atividades acadêmicas consta a coautoria de diversos livros versando sobre Economia, Finanças e Controladoria.
 
Para ler a edição, acesse: https://issuu.com/jornalbalcaoautomotivo/docs/balcao_ed166-final-2?fr=sOTNhYjE1ODYyMTg

 
 


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