BA 168 | Pix: Saiba as vantagens para consumidores e varejistas

Por Karin Fuchs
03/11/2020 13:07:12

 
O novo sistema de pagamento instantâneo estará disponível em novembro
 
No dia 16 de novembro será lançado oficialmente o Pix, o novo sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A partir dessa data, as empresas que cadastraram as chaves Pix poderão oferecer ao consumidor três formas de pagamento pelo celular ou pelo site: criando um Código QR, enviando um link de pagamento para o consumidor finalizar a transação ou emitindo uma chave de endereçamento (ver BOX).
 
Para as pequenas e médias empresas, um dos benefícios é o fluxo de caixa, uma vez que o dinheiro de qualquer transação ficará disponível imediatamente na conta. José Luiz Rodrigues, especialista em regulação da JL Rodrigues & Consultores Associados, explica que as transações pelo Pix poderão ser feitas em qualquer horário, dia da semana ou do ano.
 
“Além disso, o pagamento ocorrerá em, no máximo, dez segundos. O Pix também poderá ser usado para qualquer tipo de transação, como transferências de dinheiro entre pessoas ou empresas, realizar compras presencialmente ou na internet, pagar contas domésticas, como água e luz, além de pagar taxas públicas, como a de passaportes ou impostos, ou de serviços públicos, como o transporte público”, acrescenta.
 
Para o varejo, ele destaca a rapidez no recebimento. “A principal vantagem é o recebimento dos pagamentos de forma muito mais rápida. Isso impacta diretamente no caixa do varejista, nos prazos de entrega, na logística em geral. O varejista terá em mãos um sistema financeiro mais rápido, prático e seguro e isso deverá impactar positivamente na gestão de seu negócio e na própria prestação do serviço”.
 
Co-fundador da Mobile2you e CTO de toda a operação tecnológica, Caio Lopes, diz que os benefícios são inúmeros para o usuário comum. “Entre eles, a nova possibilidade de pagamento ao fazer compras, podendo negociar descontos para pagamentos instantâneos, agilidade e praticidade para transacionar, diversas camadas de segurança que garantem a operação, e de acordo com o banco do usuário final, outras opções de serviços complementares podem ser oferecidas para compor a experiência”.
 
José Luiz Rodrigues especialista em regulação da JL Rodrigues & Consultores Associados – Foto: Divulgação
 
E, para o varejo, ele ponta a oportunidade de modernizar a experiência de consumo. “Seja por meio de facilidade na gestão financeira e conciliação bancária, criação de nova interface com o cliente, ou por meio de redução de taxas de inadimplência onde o processo principal de recebimento é via boleto bancário”, exemplifica.
 
Transações
 
Na avaliação de Lopes, a chegada do Pix vai ao encontro da desmaterialização do dinheiro e, brevemente, do plástico (cartões de crédito e débito). “Com o PIX os usuários poderão realizar transferências e pagamentos, 24 horas por dia, nos sete dias da semana, de forma online, com o dinheiro levando poucos segundos para ir de uma conta para a outra, inclusive entre diferentes bancos”.
 
Para o quotidiano dos usuários, diz Lopes, o pagamento via o QR Code do Pix pelo aplicativo do banco do usuário terá uma adoção extremamente alta e rápida. Já os usuários PJ, estabelecimentos comerciais em geral, devem enxergar como utilizar o Pix em seus recebíveis, com novas estratégias de vendas e com a vantagem de redução de custo.
 
“Para o usuário pessoa física, o Pix será gratuito e para a pessoa jurídica terá um custo ínfimo se comparado com TEDs tradicionais (que podem chegar a R$ 20,00) de R$ 0,01 a cada 10 transações. A chegada do Pix vai ao encontro da desmaterialização do dinheiro e, brevemente, do plástico (cartões de crédito e débito)”.
 
Rodrigues vê como principal vantagem a rapidez. “Como explicado anteriormente, enquanto determinadas formas de pagamento levam dias, as transações do Pix são realizadas em segundos. Hoje se fala num tempo máximo de dez segundos, mas o Banco Central trabalha com uma média de seis segundos”.
 
Adaptação
 
Para a aceitação do Pix no varejo é necessária uma conta transacional. “O varejo, juntamente com as instituições bancárias, precisará ver a melhor maneira de disponibilizar essa nova forma de pagamento à disposição dos consumidores. É importante que esse movimento já aconteça porque as chaves de utilização do Pix estão sendo distribuídas aos consumidores, que poderão usufruir dessa inovação a partir de novembro”, explica Rodrigues.
 
Caio Lopes, Co-fundador da Mobile2you e CTO de toda a operação tecnológica – Foto: Divulgação
 
Lopes acrescenta que no processo de compra do varejo, a inclusão da opção de pagamento via Pix não afetará praticamente nada. “Há varejistas que já trabalham com QR Codes de outras plataformas de pagamento como iFood, Rappi, PicPay, entre outras. O Pix chega para unificar as opções, facilitando o recebimento por meio do QR Code do estabelecimento em si. Estabelecimento este que poderá criar benefícios para os clientes uma vez que pagarem via Pix, por meio de uma solução de fidelidade, por exemplo”.
 
Meios de pagamentos
 
Questionados se outros meios de pagamento deixarão de existir, Lopes avalia que seguindo na desmaterialização do dinheiro, dos ATMs (automated teller machine) ou os caixa eletrônicos, cartões plásticos, documentos como RG, CPF, licenciamento veicular, entre outros, o Pix é um pilar importante para acompanhar tantas mudanças que já não podem ser consideradas tendências, mas sim, realidades globais.
 
“O Pix sobrepõe formas de pagamento, como o boleto bancário, cartões de débito e a tradicional TED. Uma vez que o Pix entrar no quotidiano da população, mostrando a segurança que está embasado e a simplificação na experiência de pagamento, alguns paradigmas serão quebrados e viveremos uma nova realidade de pagamentos digitais”.
 
Para Rodrigues, os outros meios de pagamento continuarão a existir, mas há um entendimento de que o Pix poderá substituir determinados comportamentos financeiros, conforme a popularização do seu uso. “Como, por exemplo, ao balizar os custos das transações para patamares muito baixos com o Pix, o Banco Central está proporcionando melhores condições para que aquelas pequenas transações, típicas de prestadores de serviços autônomos, possam ser realizadas neste novo ambiente digital”.
 
Além disso, ele coloca que por ser mais rápido, o Pix pode diminuir prazos de entrega de compras feitas pela internet. “Enquanto o boleto bancário demora um dia ou dois para registrar o pagamento, o Pix o fará em menos de dez segundos”, compara.
 
E, ainda, que outro benefício virá para os gestores de e-commerce, que provavelmente contarão com uma redução no índice de desistência nos pagamentos via boleto, gerando melhora no fluxo de mercadorias e na gestão de estoque. “Um exemplo prático é o pagamento a um prestador de serviço autônomo por meio de um QR Code gerado pelo vendedor, com o pagamento feito pelo aplicativo da instituição financeira na qual o consumidor tem conta”.
 
Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP – Foto: Divulgação
 
Além das vantagens acima citadas, a partir do segundo trimestre de 2021, os usuários poderão fazer saques nos estabelecimentos comerciais. Na prática, isso significa dizer que esse dinheiro poderá ser utilizado no varejo e com mais clientes na loja, aumenta o potencial de vendas.
 
Pequenas e médias empresas
 
Para as pequenas e médias empresas, a FecomercioSP reuniu algumas dicas aos empresários do segmento para auxiliá-los neste momento de entendimento da nova modalidade de pagamento. “O primeiro passo é fazer o cadastro das chaves PIX da empresa por meio da instituição bancária na qual se tem conta. Esta opção já está disponível nos aplicativos e no internet banking das instituições desde o dia 5 de outubro”, informa Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP.
 
Kelly alerta para o risco de fraudes. “O cadastramento das chaves PIX deverá ser realizado diretamente na instituição financeira autorizada a operar o sistema pelo BC por meio dos aplicativos próprios ou do internet banking. As instituições financeiras não enviam e-mail solicitando o cadastramento do PIX. Evite aceitar convites que venham por e-mail ou mensagens no celular”.
 
O que muda na ponta
 
Gerente Financeira do Mundo do Caminhão, Ana Rizzi, comenta que o Pix vem para facilitar o dia a dia das empresas. “E, principalmente, do nosso amigo caminhoneiro. As transações financeiras feitas através do Pix trazem certa comodidade para ambas as partes, pois poderão ser realizadas via celulares e em qualquer lugar do País, além de estarem com suas informações armazenadas e também protegidas pelo Banco Central”.
 
Além disso, ela destaca o recebimento em poucos segundos. “Essa é a principal vantagem do Pix em relação aos outros meios de pagamento. Esse meio de pagamento permitirá que a transação seja efetivada mesmo que seja realizada fora do expediente bancário, agilizando o processo de compra e recebimento”.
 
E traz vantagens também para quem opera com o comércio eletrônico, que é o caso do Mundo do Caminhão. “Em algumas situações, a compensação bancária pode levar dias, principalmente se a operação for realizada em finais de semana ou feriados. Levando em consideração o fato de recebermos o pagamento em poucos segundos, poderemos enviar com a mesma rapidez os pedidos dos nossos clientes. Esse facilitador nos permite agilizar ainda mais o processo de preparo e envio das mercadorias”.
 
Ana Rizzi, gerente Financeira do Mundo do Caminhão – Foto: Divulgação
 
Além de redução de custos. “Sabemos que grande parte das operações financeiras gera tarifas altas. A partir do momento em que a empresa passa a ter grande movimentação financeira, consequentemente acaba tendo um custo maior de tarifas. Quando colocamos esse custo na ponta do lápis e comparamos com as novas tarifas do Pix, certamente notaremos uma diferença expressiva”.
 
Em sua opinião, fazendo uma análise geral dos pontos positivos do Pix, ela diz que os principais meios de pagamento afetados serão as transferências bancárias, sejam DOC ou TED, e os boletos. “Considerando as altas tarifas de operações entre contas e também por serem opções mais demoradas para serem compensadas, principalmente quando feitas de instituições financeiras diferentes”, conclui.
 
Formas de pagamentos
 
Pix: Saiba as vantagens para consumidores e varejistas – Foto: Divulgação
 
Código QR dinâmico e estático: O estático pode ser usado para diversos pagamentos de um mesmo valor e o dinâmico para uma única transação, por permitir apresentar informações diferentes para cada transação.
 
Link de pagamento: Parecido com a experiência do Código QR, porém, ao invés de criar um código, o recebedor fornece ao pagador um link que, quando acessado, processa imediatamente o pagamento.
 
Chave de endereçamento: Neste formato, a maior parte do processo é realizada pelo pagador. Ele utilizará os dados do seu cadastro no Pix para autenticar os pagamentos.


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