BA 169 | Fauzi Timaco: Os desafios em conduzir vida e negócio

Por Fauzi Timaco Jorge
10/12/2020 18:16:34

 
Nesses tempos bicudos que vivemos, aprendemos a sobreviver. Fazemos isso como pessoa física e como pessoa jurídica. Neste caso, não importa o tamanho da organização. Tampouco a sua estrutura operacional, o seu campo e o seu território de atuação. Tem a ver, sobretudo, com as pessoas, que são responsáveis, direta e indiretamente, pela determinação e alcance das metas emanadas das diretrizes estratégicas de médio e de longo prazos. São estas pessoas, operando de forma integrada, que irão romper com a "inércia ativa" - um viés que inibe as ações transformadoras nas organizações, levando à mesmice que, via de regra, impede uma visão acurada dos acontecimentos ao seu redor, dando origem a um sistema de repetição de tarefas sem uma preocupação com a mudança e o aperfeiçoamento contínuo dos processos, produtos e relacionamentos. Estas, sim, são as atitudes que levam ao crescimento e desenvolvimento das organizações estruturadas e conscientes de sua efetividade e potencialidade.
 
Por trás de tudo isso há um sistema de gestão, que deve ser simples. Deve ser metodológico. Requer disciplina e conscientização. Visa o estabelecimento e o alcance de metas. É dado a conquistas. Busca resultados. Protege a organização e, sobretudo, os que dela dependem: os seus empregados, os fornecedores, os acionistas, os clientes e os demais participantes do grupo de interessados que a rodeiam, internacionalmente identificado por stakeholders.
 
Um sistema de gestão pretende ser um poderoso auxiliar na formulação, implementação e controle de um planejamento estratégico, indispensável nos dias de hoje para a preservação e ampliação da rentabilidade e da participação de mercado, dois dos principais indicadores do retorno do investimento no médio e no longo prazo. Para isto, requer a participação dos próprios formuladores do planejamento e que serão responsáveis diretamente pela consecução deste planejamento: as pessoas que atuam de forma efetiva nas diversas unidades e áreas de responsabilidade. E, como em todo sistema de gestão, a figura do líder - aquele que proporciona as condições para a implementação das ações que serão executadas por todos os componentes da equipe, de forma integrada - constitui fator primordial para o sucesso de sua efetiva operacionalização. É essa liderança, exercida todos os dias e em todos os momentos, que irá promover as transformações indispensáveis às conquistas da organização vencedora.
 
Este texto foi originalmente escrito para veiculação no Balcão Automotivo também em um momento de queda da atividade econômica em nível mundial: a crise de liquidez financeira internacional, iniciada em 2007 nos Estados Unidos da América, provocada pela subprime, ou seja, pela taxa de juros para determinadas aplicações financeiras no mercado estadunidense, lastreadas por dívida na aquisição de residências. Hoje, o mundo enfrenta uma pandemia, com acentuada queda na produção de todos os países, menos um: a China. Mas seu próprio crescimento não será tão acentuado como foi no passado recente. No nosso País, as projeções para os períodos vindouros indicam uma retomada em V, ou seja, depois da queda, uma rápida recuperação, como já acontece em alguns setores. De forma menos otimista, outros estudiosos vislumbram uma retomada em U, com um período mais longo de recuperação com crescimento menos acentuado. Não poderiam faltar os pessimistas, que falam em retomada em W, com soluços entre recuperação e nova queda seguida de outra recuperação.
 
Superar as dificuldades na condução do processo organizacional que leva à concretização dos objetivos constitui tarefa de todos e, em particular, do gestor da área. Seu conhecimento dos produtos, dos processos, do mercado, da concorrência, da quantidade e qualidade dos fatores que irão possibilitar a obtenção dos resultados - dentre eles o capital, os recursos humanos, o ambiente de operação, as fontes de tecnologia e tantos outros - deve ser estendido e disseminado por todos os centros de responsabilidade, quer sejam centros de custos, centros de receita, centros de resultado ou centros de investimento. Compete aos gestores, sobretudo, a disponibilização das condições operacionais que irão possibilitar o desenvolvimento das atividades exercidas pelos agentes do processo sob sua coordenação. Estes componentes da equipe configuram os executores das ações que revelam e criam valor para os stakeholders.
 
É notório que menos de 10% das estratégias empresariais formuladas são efetivamente executadas. Trata-se, na maioria das vezes, de peças de planejamento elaboradas em tempos diferentes, com públicos diferentes, em ritmo e substância diferentes. Ocorre, muitas vezes, um total divórcio entre o planejamento e a execução.
 
Ao final do processo, quando é assim, não se sabe qual a razão dos desvios em relação ao planejamento. Não se tem, na maioria das vezes, uma clara dimensão de quais os objetivos a serem alcançados pela ação de determinado setor ou área de responsabilidade. O problema não é, verdadeiramente, um planejamento ruim, mas, sim, uma execução ruim. Tudo porque não se tem a visão do todo, o mapa cognitivo perfeitamente sob enfoque, como uma declaração de princípios, de objetivos e de realização, além de um acompanhamento periódico e sistemático.
 
Um sistema de gestão pretende uma aproximação entre os objetivos estratégicos, objetivos organizacionais e as operações da empresa. Tudo realizado de forma sistemática, com atitudes que visem premiar os alcances dos resultados planejados e modificar comportamentos para a superação das dificuldades para a sua consecução. E para tornar o processo mais desafiador, vale a pena lembrar que “navegar é preciso; viver não é preciso”. O viver não depende só da precisão dos instrumentos. É altamente aleatório, incerto. Requer, por vezes, atitudes corretivas, além das preventivas.
 
E la nave... Va!
 
 
*Fauzi Timaco Jorge (foto) é mestre em Economia pela PUC/SP. Exerceu função executiva em empresas nacionais e estrangeiras nas áreas de vendas, exportação e planejamento. É sócio-gerente da Timaco Planejamento Empresarial desde 1994, uma consultoria na área de planejamento empresarial. Atua como Professor-Tutor no Pós-Graduação Online em Gestão Financeira do sistema FGV Online, desde 2010. Em suas atividades acadêmicas consta a coautoria de diversos livros versando sobre Economia, Finanças e Controladoria


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