BA 171 | A importância da inteligência emocional no trabalho

Por Karin Fuchs
03/02/2021 19:19:11

 
Atuar em vendas é fascinante, mas exige muito dos balconistas por eles lidarem com diferentes públicos. A primeira dica de Matheus Jacob é: “para quem trabalha com vendas em tempos de inteligência emocional é sempre reconhecer o que é meu e o que é do outro. O que eu quero dizer com isso? Uma ligação de uma pessoa que seja grosseira, ou que seja mal educada, uma vez que ela se encerra, ela se encerra. A gente nunca deveria carregar essa ligação para a próxima ligação, uma venda frustrada para a próxima venda”.
 
Jacob é fundador da Conte, empresa especializada no treinamento de empresas e líderes em habilidades de comunicação e liderança, e autor dos livros “Homem que Sente” e “Coragem de Existir”, e ele explica que isso é como se fosse um jogo que se encerra a cada instante. “A gente não acumula jogadas. Se aquilo foi ruim, foi ruim, eu começo de novo. Se aquilo foi bom, foi bom, eu começo de novo. Eu acho que esse é o primeiro ponto”.
 
Para Éber Feltrim, especialista em gestão de negócios para a área da saúde, consultor e CEO da SIS Consultoria, o primeiro passo é se questionar: você gosta do que você faz? “A gente trabalha por dinheiro, esse é o mundo corporativo, mas precisa ser com amor. Quando isso acontece temos um nível de tolerância diferente do que quando não gostamos do que fazemos ou fazemos sem amor. É importante pensar que você está fazendo o seu trabalho por você e o que é do outro a gente não controla”.
 
Inteligência emocional: mantendo o equilíbrio em tempos incertos – Foto: Divulgação
 
Ele aproveita para deixar uma dica de vida (e de livro). “Aprenda “O poder da Autorresponsabilidade” (de autoria de Paulo Vieira). Quando você aprende que você é dono do rumo que a sua vida vai levar, você deixa menos ainda o que é do outro te afetar e isso inclui lidar em atendimentos (qualquer tipo) com pessoas grosseiras e mal educadas. Isso dirá de quem elas são e a forma como as atendermos dirá de quem nós somos”.
 
Cobrança por resultados
 
Em vendas há a cobrança por resultados, para que isso não seja estressante, Jacob orienta que casar isso é a mesma coisa. “Se eu trago essa pressão do resultado para aquela jogada, muitas vezes, eu posso prejudicá-la pensando nesse todo. Obviamente, eu tenho de ter uma ativação ali mental, uma certa ambição, que é diferente de ganância. Eu tenho de querer bater esses resultados, mas sempre lembrando de não deixar com que isso me tire o foco, me tire da minha estratégia de venda, me tire da minha narrativa, da minha performance, do que for”.
 
Feltrim destaca que cobrança sempre existirá em todos os lugares. “Na nossa família existe cobrança de quando vamos namorar, quando vamos nos casar, quando vamos ter filho, quando vamos morar sozinhos, etc. Precisamos entender que a nossa vida é feita de escolhas e escolhemos trabalhar com determinada coisa. Os resultados ficam mais leves de alcançar quando você os coloca como suas metas pessoais e aí o que você fará para alcançar as suas metas? Entenda que, além de resultados para a empresa que você trabalha, você buscará resultados pessoais. Quando estamos envolvidos e comprometidos com o processo, fica mais fácil de alcançar e muito menos estressante”.
 
Equilíbrio em um cenário de incertezas
 
É natural que o momento em que estamos vivendo nos afete de alguma forma, como a pandemia, a perda de um amigo ou ente querido e a alta taxa de desemprego. Cuidar do emocional se faz necessário e a orientação de Feltrim é fazer coisas que te agradem e que são possíveis para este momento. “Uma leitura, aprender um hobby novo (como cozinhar, costurar, pintar, etc.), um curso que você gostaria de fazer e nunca teve tempo”.
 
Mateus Jacob, fundador da Conte, especializada no treinamento de empresas e líderes em habilidades de comunicação e liderança e autor de livros – Foto: Divulgação
 
Segundo ele, fazer coisas que você goste e se sinta bem é uma ótima maneira de controlar seu emocional. “Seja otimista, tudo isso vai passar e o que levaremos serão as lições que aprendemos neste ano tão difícil”.
 
Para Jacob, quando a gente pensa em pandemia, que o emocional também fica afetado, é preciso tomar cuidado. “Se eu tenho um colega que por algum motivo perdeu o emprego, um familiar que perdeu o emprego, ou, até mesmo, alguém passando por alguma situação de saúde, o fundamental é eu tentar ter o equilíbrio e a maturidade para justamente por a minha venda, pelo meu trabalho ser cada vez mais importante dentro desse cenário, para eu manter a calma e ser o mais preciso, assertivo e carismático possível. A inteligência emocional é extremamente necessária nesse sentido”.
 
Ele acrescenta que para as pessoas aliviarem o estresse, aliviar a tensão, cada um tem que encontrar o seu caminho, o seu sentido, desde esporte, literatura, música, meditação. “Algumas pessoas meditam porque vão mais para esse caminho, outras vão treinar, vão para a academia. O que funcionar para cada um é o que aquela pessoa precisa. Não existem regras específicas, mas obviamente a gente respirar, diminuir os níveis de cortisol antes de uma ligação, colocar uma música ali que nos coloque numa mentalidade expressiva, e aí entrar naquele momento, isso, sem dúvida, ajuda”.
 
Esteja presente com a família
 
Éber Feltrim, especialista em gestão de negócios para a área da saúde, consultor e CEO da SIS Consultoria – Foto: Divulgação
 
Nas palavras de Feltrim é importante manter uma rotina até mesmo para quem está em home office. “Você tem um horário de trabalho a cumprir. Prepare o canto da sua casa que você irá trabalhar e separe-o do lugar que é de lazer e descanso. Procure atividades para você aprender ou reaprender a fazer com a sua família, como, por exemplo, jogos, cozinhar juntos. Use sua criatividade e amor. Saia das telas e procure fazer mais coisas prazerosas junto com quem você ama”.
 
Jacob também orienta que para usufruir dos melhores momentos com a família e até para “desligar” do trabalho, tente ao máximo ter ambientes separados para essas coisas. “Tentar ter a mesa de trabalho, os horários, a roupa e o celular de trabalho. E ter os momentos em que a gente passa a régua, desconecta e entra nos momentos pessoais, deixando os instrumentos, inclusive, a distância”, conclui.


Comentários

Seja o primeiro a comentar


Canal Balcão Automotivo

Inscreva-se em nosso canal no YouTube e assista aos nossos vídeos

NOTÍCIAS MAIS LIDAS