Covid-19: As significativas mudanças na indústria automobilística

Por Cassio Pagliarini e Paulo Cardamone
15/05/2020 17:13:29

Não há uma revolução que transforma o mercado global da indústria automobilística, uma palavra "previsão" parece ser proibida. Ter informações robustas sobre o futuro do setor no Brasil é uma diferença entre a decisão alinhada ao momento e as alterações nessas condições que podem afetar os milhões de reais em empresas. É determinante o domínio de informações sobre o comportamento do mercado, com o objetivo de orientar os gestores do setor, uma vez que o planejamento das empresas sem retorno às atividades tem como base as decisões de curto e médio prazos.

São apenas 15 dias desde a última publicação, mas algumas alterações são consideradas: enquanto uma grande maioria do mercado acredita-se que tenha uma queda de até 90% nas vendas de veículos leves de abril em relação a março e que fim de tempo está próximo, prevíamos uma venda de 43 milhões de unidades, já que a participação de São Paulo era insignificante devido a alguns dos licenciamentos como consequência do bloqueio do Detran no estado.

Abril conseguiu com 51,4 milhões de unidades, 67% menos do que o mês anterior, devido às incertezas com relação à pandemia e aos efeitos do "bloqueio" parcial nos principais centros do país. Acredite-se que aproximadamente 15 milhões de veículos já vendidos tenham sido licenciados, principalmente em São Paulo, volume que será computado nas vendas de maio.

Apesar de nossas previsões considerarem expectativas econômicas (as quais neste momento carregam grande parcela do imponderável), nossa metodologia ancora os números na evolução de alguns segmentos e na redução das vendas corporativas, ou seja, o peso de vendas a locadoras deverá diminuir enquanto o peso das vendas PCD deverá aumentar.

Nossa previsão de vendas e produção para o mercado de veículos leves está detalhada no quadro abaixo e foi ajustada à extensão do isolamento decretada em vários estados após 15 de abril:

Com isso, nossa previsão para o 2º trimestre do ano reflete, agora, vendas de 295,4 mil unidades – uma queda de 45% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

O que nos aguarda após o isolamento

Países inteiros tiveram sua mobilidade restringida, mas os efeitos da crise que irão perdurar após a volta da livre circulação das pessoas e veículos farão parte da gestão diária dos executivos do setor automotivo por longo tempo. As consequências na indústria automobilística serão multifacetadas e permanentes, a ponto de a reorganização do setor ser uma nova história a ser contada.

No entanto, é necessário pensar na nova configuração do mundo pós-pandemia, que está diretamente relacionada à forma como os mercados e as atividades comerciais irão se reestabelecer no “novo normal”.

Continuará a indústria automotiva a ser um polo de desenvolvimento no mundo e quais as consequências para o Brasil? Como ficarão as empresas, os empregos em toda a cadeia de valor, os investimentos e a regulação relacionada à segurança, emissões e eficiência energética? Qual será a vontade política para continuar limitando as emissões de gases de efeito estufa a fim de mitigar o aquecimento global?

Os governos federal e estaduais vieram em socorro ao mercado estendendo prazos de pagamento de tributos. As negociações entre empresas e empregados evoluíram. Porém, as negociações relacionadas a capital de giro entre montadoras e bancos continuavam na pauta ao final de abril. Pagamentos em toda a cadeia continuam escassos impactando, principalmente, as pequenas e médias empresas tanto no fornecimento de componentes quanto de distribuição.

Vagamente, começam a ser sinalizados novos produtos e novos prazos de lançamento, ajustados a esta nova realidade mais lenta e de menor volume. Como um sinal dessa mudança, diminuíram muito as campanhas publicitárias em TV, refletindo os novos tempos de contas mais enxutas.

Riscos e consequências

* Inviabilização das pequenas e médias empresas - O temor pela sobrevivência das PME’s aumentou consideravelmente nas últimas 2 semanas, uma vez que o fundo de caixa restante está se acabando. Os bancos receiam socorrer empresas que podem quebrar, o que se traduz em aprovações morosas e taxas mais altas – tudo o que o mercado não precisa.

* Postergação das compras de veículos – A segurança necessária para a compra de um veículo novo evaporou, tanto pela descapitalização das famílias quanto pela menor utilização dos mesmos. “Compre agora e pague no ano que vem” tem sido o mote mais frequente das ofertas. Veículos usados, transformados em caixa para pagar despesas, viram seus preços despencarem. As montadoras retardaram seu reinício de operações e trabalharão a venda dos estoques existentes, sem loucuras. Já não se encontram mais exemplos de taxa zero.

* Desemprego – O Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda (MP-936/2020) está permitindo que uma parcela do emprego seja protegida com demissão proporcionalmente menor que a redução dos negócios. As demissões ocorrem agora em maio por toda a cadeia e serão informadas nos noticiários. Mantemos sua previsão com a redução de aproximadamente 10 mil empregos nas montadoras e de 20 mil posições nas autopeças.

* Rede de distribuição – De acordo com a Fenabrave, aproximadamente 30% das concessionárias não suportarão passar o mês de maio fechadas. As montadoras e seus bancos vinculados concederam o auxílio que era possível, mas que não resolve o problema. A ajuda governamental na forma de postergação de impostos e oferta de capital de giro deve ser prioridade. Decisões tomadas em abril e implementadas em maio irão separar as empresas que continuam daquelas que ficam pelo caminho.

* Metas regulatórias -

Comentários

Seja o primeiro a comentar


Canal Balconista Automotivo

Inscreva-se em nosso canal no YouTube e assista aos nossos vídeos

NOTÍCIAS MAIS LIDAS